Suor, sujeira e surto

Ah! Empolgação que me faz lançar o pneu do carro contra a quina do meio fio, estourando-o. Ah, pneu espatifado! – me faz suar, sujar e surtar. Suor, sujeira e surto: mistura primitiva pré-humana, dona da espécie. Quantos em teu seio já não aportaram, loucos? E quantos chegaram a devolver-se de volta ao mar plácido da sanidade, para lá de ti? Em ti cheguei buscando o barulho – aquele, que talvez substitua (só talvez!) esse outro, eterno, dentro de minha cabeça a conjurar ruídos.

Só assim poderei me perguntar com segurança: o que significa hoje?

A sombra da resposta já me amolece os olhos e torna mais macio, mais afeito ao colchão. Mais tenro. É impreciso, mas imperativo dizer: meus olhos colorem cobertores.

“O que significa hoje? O que significa hoje? ” – me pergunto.

Logo defino: hoje é o acúmulo de todo significado possível, escrito na língua secreta do tempo.

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