Fina película

Vocês! Sim – vocês que não sabem cuspir! Mexem no mundo com seus dedos, perpetrando o deslize torpe de vidas que, deslizando, se pulverizam. Tenho pena de vocês – tanto quanto uma galinha que grita, e morre, depenada, nas mãos da máquina fria que a embala. Minha pena é um berro! Uma noite! Uma ferida…

Me vejo mudo no preto dos teus olhos. Um preto mais fundo e mais preto que o mais profundo poço – e mais moço, e mais novo. Que se quebre o espelho de tua pupila e se afunde mais o fundo da tua vida; e que caia uma chuva de navalhas para que se lapidem à corte teus dedos finos e rachem, uma por uma, todas as camadas da película, fina, que nos separa as vidas.

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